Já eliminamos a sacolinha do nosso puxa-saco, já trocamos a lixeira da cozinha para fazer o descarte sustentável e estamos pensando duas vezes se devemos ou não comprar um bem de consumo. Mas e na feira, será que você não está se empolgando demais?
Aqui em casa somos só eu e o Thiago. Em dia de sacolão (que eu faço uma vez por semana) eu compro um exemplar de cada alimento. É uma cenoura, um chuchu, uma beterraba, uma abobrinha.
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| Isso aí é comida demais pra minha casa. Só comprei tudo dobrado porque ia receber visita. O normal é um de cada. |
E é por isso que, na minha cozinha, eu tento minimizar ao máximo o descarte, principalmente o do que é orgânico. Já inclusive falei disso aqui. Água de cozimento de legume vira sopa e bagaço de suco vira purê.
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| O que sobrou da abóbora não vai para o lixo. Aqui em casa, vira purê! |
Não sei se você já assistiu ao chocante "Ilha das Flores", do diretor Jorge Furtado. No curta, produzido em 1989, Furtado usa a associação de ideias para explicar o processo de produção do alimento no mundo capitalista.
E esse é o grande absurdo disso tudo! Dói o coração em ver a resignação de mulheres e crianças numa corrida desesperada para pegar do lixo a alimentação que o dono do lugar considera imprópria para oferer aos suínos.
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| Pegar comida do lixo: uma triste realidade que faz parte da vida de muita gente. Foto: Ilha das Flores / reprodução. |
"Ilha das Flores" está disponível no youtube e é um filme que vai embrulhar seu estômago, mas que merece ser visto.
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| O homem se confunde com o lixo e o mais triste dessa imagem é que nós já nos acostumamos com ela. Foto: Ilha das Flores / reprodução. |
Com um texto impecável, a premiada obra é uma "narrativa fictícia". Mas, infelizmente, não podemos considerá-la um produto audiovisual fantasioso e, nem mesmo, ultrapassado. Em pleno século XXI, alimentos continuam indo para o lixo.
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| O que está no chão é comida e vai acabar no lixo. E, provavelmente, alguém ainda vai tentar comer essas frutas. Foto: EBC. |
Desperdício que, se fosse evitado, poderia contribuir para a alimentação de 795 milhões de pessoas. Além de não ajudar a combater a fome esse descarte sem sentido ainda prejudica o planeta de muitas maneiras. Ainda segundo a FAO, as cifras anuais desse desperdício superam os US$ 750 bilhões.
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| Maior parte das perdas ocorre no processo de manuseio e transporte dos alimentos. Foto: TV Brasil / divulgação. |
E os custos vão muito além do dinheiro gasto já que para produzirmos essa comida que jogamos fora gastamos quase um terço de toda a terra cultivada do planeta, módicos 1,4 bilhão de hectares.
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| Plantações ocupam terras e gastam água. Foto: Valter Campanato / Agência Brasil. |
E se como não bastasse os dados atuais do desperdício evidenciado lá nos anos 80 por "Ilha das Flores" a fome, que é a denúncia mais triste e gritante presente no curta de Jorge Furtado, ainda faz parte da realidade de muitos habitantes do planeta.
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| Criança desnutrida em El Fasher, no norte de Darfur, no Sudão. Foto UN Photo / González Farran. |
Uma discussão que, sem dúvida, rende "pano pra manga". Segundo a FAO, são 795 milhões de pessoas passando fome no mundo. Deste, 7,2 milhões de pessoas estão aqui, no Brasil. Tanto que vários Projetos de Lei para tentar ajudar a reverter esse triste quadro tramitam atualmente no Senado.
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| Eliminar a imensa desigualdade social no Brasil é uma forma de resolver muito problemas da nossa nação. Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil. |
Um exemplo gritante dessa desordem em cadeia é o último levantamento feito pelo IBGE. De acordo com o instituto, um quarto dos brasileiros vive na linha de pobreza e tem que sobreviver com uma renda mensal inferior a R$ 387,00.
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| A falta de saneamento é uma realidade em muitas cidades brasileiras, como em Altamira, no Pará. Foto: Valter Campanato / Agência Brasil. |
Graças a Deus eu não sei o que é isso. E espero, de coração, que você também não saiba. Mas não é porque somos privilegiados que temos o direito de desperdiçar.
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| Compre, sempre que possível, do pequeno produtor. Foto: Agência Brasil / divulgação. |
Se não foi pedir demais, tente saber também de onde vem o alimento que você está levando para a sua casa. Priorize os orgânicos, consuma sempre que possível as frutas e verduras da estação e compre dos pequenos produtores. Seu corpo e o planeta agradecem. Boas compras.














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